Blog do Pósnik


APÊNDICE Nº 1

 

EXEMPLO SIMPLES DE BASE EMPÍRICA PARA FORMULAÇÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS DE CULTURA.

                                                                                                                            Wilson Merlo Pósnik, sociólogo.

Nos últimos 20 anos, vimos discutindo a construção de uma base empírica para formulação de políticas públicas de cultura, a partir de experiência concreta, na Secretaria de Estado da Cultura do Paraná em 1994, com o projeto de inventário ‘O Paraná da Gente’. E já é tempo de nós mesmos, superarmos as elucubrações especulativas que tanto condenamos e partirmos para exemplos concretos. Dois sempre foram nossos objetivos principais: (1) romper e superar com a nossa tradição puramente especulativa nas Ciências Sociais – nosso ‘príncipe' FHC, por exemplo, nunca produziu nada a partir de embasamento empírico original; e praticamente toda a nossa tradição acadêmica e produção científica na área, sempre se deteve nestes limites; (2) políticas públicas republicanas têm que partir da realidade concreta e das necessidades reais da nossa sociedade, na sua ampla e complexa diversidade.

Vamos supor que estivéssemos diante de um processo de formulação de políticas na área de música e mais especificamente, para objetivarmos a discussão, no segmento da percussão. Na nossa percepção, o 1º passo seria fazer um inventário amplo de tudo o que se faz ou o que potencialmente poderia ajudar, no processo de mobilização social em torno do tema, numa determinada porção de território. Não poderia ser um processo convencional e ortodoxo, de inventariar para depois intervir, mas à medida que se fosse desvelando qualquer processo ou ente potencial do desenvolvimento artístico, tentar-se-ia agregá-lo ao processo de mobilização e de encaminhamento de programas, tanto no reforço de formulação sustentada das políticas, quanto no aspecto finalístico do desenvolvimento artístico. E por aí, estaríamos criando e incrementando uma base operacional e política particular da área da Cultura, não só pública. Tal processo, na nossa perspectiva de análise, só poderia ser feito por um ente da sociedade civil organizada. Pois estaríamos diante de uma contradição básica - reformas das práticas políticas, diante das organizações políticas tradicionais, voltadas para a manutenção do 'status quo', impasse da mesma natureza que o enfrentado pela chamada 'reforma política'. Mas, voltemos ao tema concreto da percussão. Quais seriam os entes básicos e agregadores do desenvolvimento desse segmento ? Desde já, podemos antever o que poderíamos encontrar, num inventário desta natureza, ao nível local: professores de bateria de escolinhas de música, carnavalescos, praticantes de 'taikô' (percussão nipônica), fandangueiros, artesãos de instrumentos, especialistas em percussão corporal nas artes cênicas, mestres de fanfarras, idosos com ligações à temática etc. etc. Ou seja, elementos 'no mercado', mas principalmente, os fora dele. Portanto, já à primeira vista, o caminho demonstra seu potencial. E com certeza, a intervenção concreta localizará centenas desses entes, numa escala ampla de competências, visibilidade, responsabilidade social e mesmo, interesse em viabilizar ou incrementar pequenos negócios nesse particular. Como sempre vimos afirmando, trata-se de localizar e envolver parceiros, estruturar uma base política e o encaminhamento de soluções, que passarão inevitavelmente por discussões de fontes de financiamento, tanto públicas como privadas. Tal estratégia poderia ser aplicada a qualquer outra área do desenvolvimento artístico, tendo-se sempre o cuidado de iniciá-las por segmentos de menor complexidade e que exijam menos recursos iniciais, como outro exemplo, em artes cênicas - por contação de histórias, teatro de bonecos operados por crianças etc. Por outro lado, a base física principal dessas intervenções, já decorrentes dos passos iniciais dos inventários, queremos crer, deveriam ser as escolas da rede pública e sua clientela, os alunos e comunidade escolar respectiva, desembocando mais adiante, em possíveis festivais locais, cujos registros sistemáticos também devem ser objeto de preocupação permanente.Tudo sob inspiração, no caso de percussão, de figuras exponenciais neste assunto, como os baianos Naná Vasconcelos e o grupo Oludum.

                                                                                        Curitiba, 04 de setembro de 2014.   

 



Escrito por W. Pósnik às 12h11
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22. CULTURE PUBLIC POLITICS (ABSTRACT)

This propositions series intend to contribute to discussion of Culture Politics in Brazil among all people interested in this area as way of going deeper into culture making purposes improving abilities in proposing, applying and evaluating culture politics in public sector, under a republican point of view and as a state proposal namely starting and focusing whole society in its unity.

Despite of provoking nature of its targets and theoretical high esthetics and ethical freedom it has, Culture area is a kind of hostage of large historic restrictions which  put it in a peripheral position in the state structure.  This position compelled  society to solve its cultural request by itself and this put state in a supplementary role in terms of sustainable development.  To perform a supplementary  role requires good knowledge in quality and quantity of all installed capacities of society; this kind of acquaintance is only possible by specific inventories; social participation is fundamental to reduce historic isolation and irrelevance of Culture area.

We have focused in Culture problems but all of our Public Politics mainly in local and state level – even many federal proposals have the same mistake: they are connected to provisional periods of time - linked to specific terms of office;  this kind of distortion provokes lack of interest in basic information about whole universe of intervention and long term actions. This problem makes evaluations impossible and are a good way for politicians to bring out benevolent discernment about his own actions. In this context it’s completely clear that internal managing mechanisms  - as planning systems, in so far as they take on restrictive and controlling objectives of short terms they diminish their role in prospective and arbitration actions.  

These are true for main state functions; in peripheral ones, possibilities of changing or reversal of problems are null. If internal instruments are worthless let’s require direct support of society. Specially in functions connected to leisure (culture, sports and tourism); they are a kind of novice in the state structure and  their actions and  process of intervention are yet runny and inconsistent.

As the last propositions we recommend a strategy of intervention and a preliminary form of explanatory concepts.  In reason of institutional and political impediments and another inertial and historic factors this task involves, we recommend the inventories have to be made by external organizations of state structure, as NGO or similar, with permanent supervision of public clients.  The of these inventories will result in operative information and would subside future Culture Politics, Programs and long term Plans by a state perspective and with  partnership and according to interests and  needs of all society.  

 



Categoria: Políticas Públicas de Cultura
Escrito por W. Pósnik às 18h37
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21. DANÇA, IDENTIDADE E GUERRA !

 

        Acabo de ler, a reprodução feita pelo boletim eletrônico ‘Carta Maior’, de uma matéria publicada originalmente noutro periódico, que merece a atenção de nós todos. Trata-se do ensaio Dança, Identidade e Guerra, de autoria da brasileira, descendente de palestinos, Amyra El Khalili, especialista em Engenharia Financeira, Ambientalista, Educadora em Finanças Sócio-ambientais e Presidente do Projeto BECE - Bolsa Brasileira de Commodities Ambientais (em inglês). Que também atua na área de danças étnicas, com três décadas de pesquisas sobre ritmos árabe-brasileiros. Para destacar esse aspecto central da dança nas suas propostas, ela mesma afirma emblematicamente: "Eu só poderia acreditar num Deus que soubesse dançar !   A dança e as manifestações rítmicas tradicionais são um tema central nas discussões da formação e preservação da identidade cultural dos povos, como destaca a citada pesquisadora.


        Seu foco neste ensaio é a matriz cultural do povo palestino, mas o seu trabalho na área cultural extrapola os limites e as angústias vividas pelos conterrâneos dos seus ancestrais e até mesmo as raízes das culturas árabes em geral. Com certeza, estamos diante de um tema da maior importância, de caráter primordial para o objetivo principal das nossas elucubrações - as políticas públicas de cultura. Por isso, nada melhor que o acesso direto ao mencionado texto, disponível em 

http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=4066&boletim_id=513&componente_id=8913

        Por outro lado, uma busca pelo nome da pesquisadora, numa ferramenta apropriada, poderá nos dar toda a amplitude e pluralidade de sua contribuição, inclusive com relação aos numerosos eventos que participou no nosso Paraná.    

 

 



Categoria: Políticas Públicas de Cultura
Escrito por W. Pósnik às 15h10
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20.  POLÍTICAS PÚBLICAS DE CULTURA  (RESUMO)

 

        Esta série de textos numerada e postada neste espaço, pretende contribuir para o debate, entre todos os segmentos interessados no fazer cultural do nosso País, de forma a aprofundar o conhecimento dos processos e caminhos da formulação, aplicação e avaliação de políticas públicas da área - sob uma perspectiva republicana e de estado, isto é, partindo e focando a  sociedade com um todo. 

        Apesar da natureza instigante do seu objeto e dos graus de liberdade ética e estética que a área teoricamente dispõe, ela é refém de um espectro amplo de restrições históricas, que tornam sua posição e importância no aparelho-de-estado, apenas periférica. Tal situação, fez com que a sociedade resolvesse por si, suas demandas culturais, restando ao poder público, um papel puramente supletivo - por uma ótica de desenvolvimento sustentado.  Atuar supletivamente à sociedade, implica em conhecer em pormenores, sua capacidade instalada, em termos quantitativos e qualitativos; isto só se consegue através de inventários; o caráter amplamente participativo que estes devem adotar, tende a reduzir o isolamento e a irrelevância histórica da área. 

        Focamos mais a Cultura, mas na verdade todas as nossas políticas públicas, principalmente nas esferas estadual e municipal, mas não só nestas, sofrem dos mesmos males: estão ligadas a processos transitórios de gestão e esse vezo as leva a descurar até de informações básicas sobre seu universo total e de longo prazo. Deste modo, avaliações não são possíveis; quando são feitas, podem lançar uma perspectiva benevolente de sucesso - sempre bem-vinda pelos políticos. Fica claro neste contexto, que os mecanismos internos de gestão, à medida que foram assumindo objetivos de governo, com nítido viés restritivo e de controle, foram se afastando do seu papel original, prospectivo e arbitral. 

        Isto é verdadeiro, mesmo nas funções principais; nas periféricas, as possibilidades de reversão do quadro, através desses instrumentos, são praticamente nulas. Daí a alternativa, de que se busque no apoio direto da sociedade, o empuxo necessário. Especialmente, nas funções tradicionalmente associadas ao lazer (cultura, esporte e turismo), recentes como objeto da ação do estado e ainda inconsistentes nos seus processos de intervenção. 

        Ao final da proposta, são recomendadas uma estratégia de atuação e uma forma preliminar de operacionalização de conceitos. Face aos entraves político-insticucionais e fatores inerciais históricos que a tarefa envolve, recomenda-se a execução dos inventários, por um ente externo ao poder público, com o acompanhamento permanente deste. Os subsídios gerados instrumentarão as futuras políticas públicas de Cultura, a partir de uma perspectiva de estado, com a participação e acompanhamento da sociedade.

 

 



Categoria: Políticas Públicas de Cultura
Escrito por W. Pósnik às 21h35
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AS 'SETE PRAGAS DO EGITO' DO NOSSO FUTEBOL !

Ementa Um: como todo cristão deve ter ouvido falar, as ‘Pragas do Egito’ (segundo alguns, teriam sido sete, para outros dez), seriam uma série de flagelos, segundo a Bíblia, enviados por Deus sobre aquele País para obrigar o faraó a deixar partir os hebreus: (1) a água do Nilo, transformada em sangue, (2) invasão de rãs, mosquitos e moscas, (3) peste dos animais, (4) úlceras, no corpo das pessoas, (5) chuva de pedras, (6) invasão de gafanhotos, após a ação da chuva de pedras, (7) trevas sobre o País e (8) a morte dos primogênitos de todas as famílias egípcias.

Ementa Dois: como todo brasileiro é um técnico ou mesmo, profundo conhecedor do que a pompa dos locutores de rádio de outros tempos chamava de ‘esporte bretão’, deixo a critério de cada um dos leitores deste libelo, a definição da ordem decrescente de sua importância, a substituição de algumas, ou mesmo a complementação da lista. Afinal, sete ou dez ‘pragas’ podem ser pouco !

(01) A praga da péssima organização interna dos nossos clubes e demais instituições envolvidas, com baixíssimos índices de profissionalização; em se tratando de um aparato para gerar um produto importante na nossa sociedade – o futebol profissional. Embora não se trate de um carrinho de pipoca ou boteco, a informalidade das transações vai da incompetência à malversação de recursos, estes sempre expressivos;

(02) A praga da perpetuação dos dirigentes, do tipo capitanias hereditárias - viciosa e antidemocrática: na Confederação, nas federações, ligas e clubes; neste caso, à semelhança da célebre expressão de Lampedusa: mudar, para que nada mude. Neste caso, nada deve mudar, para que tudo fique como está, no reino da Dinamarca, digo CBF !

(03) A praga da formação precária dos nossos técnicos; na sua grande maioria, tocam de ouvido, ou seja, foram formados na tradição oral e na experiência prática - estão portanto, ainda na pré-história. Muitos são quase que incapazes de exprimir suas idéias. Chamados de professores, mal conseguem articular discurso razoável – que ajudará a formação das entrevistas do atletas. Só para citar um exemplo: acompanhar, comparar e avaliar um jogo como Batatais X Pão de Açúcar (Série B Paulista) - daqueles que passam inadverditamente e em horários exóticos na 'Rede Vida', com outro jogo qualquer do Brasileiro - Série A, fica evidente as diferenças na qualidade individual dos jogadores, mas é extremamente difícil encontrar diferenças táticas significativas. Será que o Maradona tinha razão ao afirmar, quando assumiu recentemente a Seleção Argentina, que não havia mais nada a inventar no futebol ? Ou continuamos prisioneiros, nós e eles argentinos, de um mesmo ciclo permanente, de um sem número de talentos individuais e da estagnação, da modorra na organização do jogo ?  Aliás, nunca vimos tanta penalidade máxima perdida, escanteios mal cobrados, bicos de zagueiros para qualquer lado etc. A propósito: jogar pelos lados geralmente, só faz parte do discurso ! Com a palavra, ‘São Telê’ !

(04) A praga da omissão do estado nas atividades de lazer (esporte, cultura e turismo); falta de ampliação do acesso ao lazer e aos esportes nas comunidades, escolas e entes associativos da periferia; o lazer orientado previniria quase tudo nestes lugares providos de quase nada !

(05) A praga das torcidas organizadas, como integrantes de uma dialética política perversa, no nosso futebol; estimuladas por dirigentes oportunistas, cumprem um papel de ocupar os estádios vazios, de forma a mascarar a péssima qualidade, muito comum nestes espetáculos. Seus deslocamentos com hordas, a caminho ou à volta dos estádios, mesmo que tangidos preventivamente pela polícia, provocam muitas vezes, conflitos com outras torcidas, depredações de imóveis, veículos, ônibus etc. sempre acobertados pelo manto da impunidade;

(06) A praga da mídia esportiva, tal qual os demais entes envolvidos no esporte, com um número considerável de profissionais sem formação sólida e em muitos casos, a serviço de perversões no nosso sistema esportivo: promove, destaca ou privilegia, como toda a mídia comercial, os negócios e o lado grotesco do espetáculo. Parece que o lado ruim sempre vende mais e melhor ! A dialética entre comerciais X programa passa a ser balanceada, de modo que se faça um bom contraponto, entre os devaneios consumistas do público e a triste realidade que parece ser o nosso dia-a-dia, vista por estes olhares ! Quanto pior for o quadro, melhor o recall dos reclames !

(07) A praga dos empresários esportivos que acompanham os atletas, desde que os mesmos largam as fraldas e se acham mentores da sua formação e desenvolvimento – numa espécie de escravidão branca, muitas vezes, com a participação ativa de pais ou responsáveis ! Por que será que os Conselhos Tutelares e órgãos afins, não intervêm neste assunto ? Afinal de contas, isto é tão perverso quando a pedofilia;

 (08) A praga da multiplicação dos técnicos-empresários – misturam tarefas eticamente incompatíveis; assediam, participam daqui e d’acolá, colocam em jogo seus favoritos ou os dos seus amigos, recomendam promessas ou bondes – qualquer coisa por qualquer trinta dinheiros !

(09) A praga das transações econômicas encobertas e obscuras, que vão desde a participação de grandes mafiosos de algumas nacionalidades, a bicheiros e outros espécimes de contraventores, além dos clubes laranjas; falta uma definição clara e objetiva de regras nacionais e internacionais entre os entes do futebol profissional, desde as suas bases de formação, até as questões de previdência e assistência a atletas;

(10) A praga do baixo nível de escolarização dos nossos jogadores, desde as categorias de base - geralmente oriundos de segmentos da sociedade, com pouco acesso aos processos de educação formal e regular; o processo de profissionalização não poderia estar dissociado da educação básica – assinou o primeiro contrato, deveria ter garantida a escolarização;

(11) A praga do mau uso do esporte pelos políticos, como objeto de manobras ou plataformas para discursos demagógicos e eleitoreiros, envolvendo clubes e seus aficionados, federações, ligas etc. na sua ânsia de assumir, por todos os meios disponíveis, posições de poder formal; como que a sinalizar que eles próprios mobilizariam os recursos do estado, na solução dos problemas da área. Na verdade, o que se espera deles é o exercício de sua liderança junto ao segmento que vierem a representar, para que este, engajado a outros com os mesmos interesses, ajude a formular e concretizar essas soluções. Afinal, lazer sempre foi questão de iniciativa da sociedade (e não do estado) e cabe àquela se organizar melhor, para indicar ao estado, os caminhos a serem seguidos - as tais políticas públicas republicanas !

 



Categoria: Esportes
Escrito por W. Pósnik às 10h16
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19. DE PENTECOSTALISMO & POLÍTICAS PÚBLICAS DE CULTURA !

        Mais uma vez, devemos nos socorrer dos nossos encontros de English Conversation das 5as. feiras, agora na Casa Latinoamericana – CASLA, para nos ajudar na compreensão do contexto e do universo em que estão inseridas nossas Políticas Públicas de Cultura – se é que existe ou existiu algo desse gênero, aplicado em nosso País, sob a sempre reiterada, perspectiva republicana. Desta vez, para destacarmos um tipo de concorrência a que elas estão submetidas. Bem, acho que nem é preciso reiterar aqui, as precariedades já apontadas antes, dos seus aparatos institucionais, dos seus recursos humanos e orçamentários, dos vícios do compadrio clientelista dominantes na área, do encasulamento esterelizador que os políticos a mantém - como que para evitar que no contato direto com a sociedade, ela venha a romper estes limites. Limites estes, acrescidos de outros fatores inerciais, sempre levaram a área a apresentar baixíssimos níveis de resultados e de impacto, o que contribui para a mantê-la completamente ausente do imaginário coletivo da sociedade.

        Há cerca de duas semanas atrás, em razão de termos mencionado nosso interesse pelo tema ao nosso facilitador, o britânico Roy Madron (*) - cientista político, autor de livro já mencionado neste Blog e que prepara uma segunda obra, entre as suas estadas, já há cerca de dois anos, entre o Brasil e o Uruguai (para onde vai, no próximo dia 14/11), ele nos remeteu, anexo a e-mail, um artigo, do pesquisador uruguaio Raúl Zibechi, sobre como se dão os avanços do Pentecostalismo, nas periferias das grandes cidades brasileiras e de alguns outros países da América Latina. O texto para o qual estamos linkando a seguir     http://www.ircamericas.org/esp/5542         (en español), nos mostra quão pragmática, articulada, ambiciosa e efetiva é a forma de atuação dessas correntes religiosas, na conquista de novos prosélitos - começando sempre, pelas mulheres e seus filhos. Periferias estas onde como atividade de lazer, só há botecos e ..... templos ! Templos, parece que tolerados pelo crime organizado ...  Sem qualquer presença do estado.  Como concorrentes da ação cultural, que poderia chegar lá.  Estas correntes religiosas dão de 10 X 0 na Cultura, usando o jargão futebolístico. Até porque sua filosofia carismática, têm um amplo apelo lúdico.  A pergunta é para as autoridades públicas da Cultura: quando esse jogo vai mudar ?

 (*) Para o nosso interesse em Políticas Públicas, essa convivência tem sido muito proveitosa. Não só por sua formação e experiência como cientista político, mas também pelo fato da Inglaterra (e a Grã-Bretanha em geral) ter sido o primeiro país (ou conjunto de países), a empreender políticas públicas de cultura - durante a reconstrução do País, no pós-guerra, para recuperar a auto-estima de sua população.



Categoria: Políticas Públicas de Cultura
Escrito por W. Pósnik às 18h27
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18. BUTÃO: TRADIÇÃO, BUDISMO E FELICIDADE !

        Ontem (09/11/08), esbarrei com uma matéria sobre o reino asiático do Butão, através de uma ‘chamada de primeira página’ no UOL. Versava sobre viagens àquele País, mas continha um dossiê completo acerca dos mais variados aspectos da vida deste povo. Estado nacional situado entre a China e a Índia sob regime monárquico, com estilo de vida extremamente simples, com a quase totalidade da sua população vivendo em estado de grande pobreza - com costumes, tradições, religião etc. bem diferentes das nossas. Isto me levou a relembrar a menção a esta questão, num evento ocorrido em 2004 em Curitiba, chamado ICONS; onde se discutiu o estado da arte dos ‘indicadores de sustentabilidade, no mundo daquele momento. Chamou-me atenção a exposição do pesquisador britânico Adrian White, da University of Leicester, de um trabalho que havia feito sobre esses indicadores no Butão, no qual ele destacava que o principal objetivo de vida do povo butanês era a busca da felicidade. Após um esforço de um grupo de pesquisadores dessa instituição britânica, foi possível sistematizar um instrumento que medisse o nível de felicidade de grupos de de pessoas. No caso do Butão, sustentabilidade estaria estreitamente correlacionada à felicidade. Tal pesquisa foi aplicada a cerca de 80.000 pessoas de 178 países. Seu resultado comparativo, colocou a Dinamarca na primeira colocação e o Butão, surpreendentemente, na oitava. A matéria, sob o ângulo turístico, publicada no UOL também destaca esta característica curiosa deste País e seus esforços em manter sua identidade cultural, diante de vizinhos gigantes. Ela está disponível em      http://viagem.uol.com.br/guia/cidade/butao_index.jhtm

 

   

        Como nosso objetivo é propor e discutir estratégias de formulação, aplicação e avaliação de Políticas Públicas de Cultura sustentáveis, achamos que essa referência a este povo longínquo, tem muito a nos dizer, muito a nos ensinar, especialmente quando observamos a correlação que tem na nossa sociedade, das práticas ou do consumo de bens culturais, com o bem estar espiritual das nossas populações. Como exemplo de outras referências, citaremos um evento internacional, realizado no Butão, com o mesmo objetivo, que envolveu um declaração conjunta, que está em       http://www.grossinternationalhappiness.org/downloads/GIH_report_18-2-04.doc

 



Categoria: Políticas Públicas de Cultura
Escrito por W. Pósnik às 18h05
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17b NOVAS REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS (4).

 



Categoria: Políticas Públicas de Cultura
Escrito por W. Pósnik às 11h29
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17a NOVAS REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS (4)

        Depois de um período ausente deste espaço – estivemos voltados para outro Blog, de caráter familiar, o Blog dos Pósnik - Curitiba, dirigido exclusivamente aos membros da nossa família, com acesso apenas a colaboradores e convidados, volto a este espaço, com uma novidade interessante. Não apenas focada em Políticas Públicas de Cultura, com de hábito, mas num espectro muito mais amplo. Já mencionei antes, que freqüentava sessões semanais de English Coversation, no Centro de Línguas e Interculturalidade – CELIN/UFPR. Ocorre que ao início deste semestre, surgiu uma crise na Instituição e não havia professor para dar continuidade ao nosso processo, o que causou uma desmobilização quase geral e a busca, por parte de alguns colegas, de outras opções do gênero.

        Por uma feliz coincidência, uma das nossas colegas contatou a Casa Latinoamericana – CASLA, à procura de espaço para esses nossos encontros e ainda, entro em contato com um professor, ou melhor dizendo, um ‘moderador’ para o nosso trabalho. E por outra feliz coincidência, esse moderador acabou sendo um consultor britânico, Mr. Roy Madron, que está a cerca de um ano no Brasil. E por outras felizes coincidências, ele é co-autor de um livro muito interessante, com propostas muito próximas àquelas que vimos desenhando, neste Blog: Gaian Democracies – Redefining Globalization & People Power, em parceria com John Jopling. Muito próximas, diríamos nós, uma vez que na raiz das nossas propostas, está a participação ampla, de todos os segmentos envolvidos com o preservar, o fazer e o desenvolver Cultural e na proposta destes pensadores, o resgate dos processos políticos democráticos, pela ampliação dessa participação.  Mas, melhor do que falar a respeito deste pensador, que está no Brasil para escrever um segundo livro, com o continuidade do primeiro, sob o tema ‘Conduzindo a Revolução de Gaia’, vou postar um folheto bilíngüe, distribuído por ele, que a sumariza suas idéias e do seu parceiro nesta empreitada. Trata-se, da nossa parte, de mencionar mais uma referência bibliográfica, nas áreas foco e objeto principal das nossas reflexões.



Categoria: Políticas Públicas de Cultura
Escrito por W. Pósnik às 22h04
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DE 'BOIS DE PIRANHA' E DE MANIFESTAÇÕES POPULARES !

        Ontem, 30 de agosto de 2008, a APP-Sindicato ‘comemorou’ mais uma vez, os 20 anos daquela manifestação, concluída em frente ao Palácio Iguaçu, em que nos tumultos entre professores e a Polícia Militar, houve por parte desta última, o uso de cavalos e bombas de efeito moral. Episódio que continua sendo rememorado, ano após ano. Evento que foi tratado pela mídia à época como uma espécie de batalha campal. Puro exagero ! Passado todo esse período de duas décadas, o incidente vem sendo trabalhado, de modo a assumir aos poucos, imaginário coletivo de professores e dos demais curitibanos, distantes daquilo tudo - hoje ou naquela data longínqua, uma certa dimensão mítica. E como todo o mito ... Qual seria a sua dimensão concreta ? Pois é ! Os vinte anos do 30 de agosto de 1988, mereceram mais uma passeata anteontem - com direito a camisetas especiais e tudo o mais. Iniciada na praça Santos Andrade e concluída, com grande alarido, na suposta ‘praça de guerra’ daqueles tempos; ao que tudo indica, suas lideranças procuraram dar mais um passo de reforço no mito criado para a data.

        Para nós todos, moradores do Centro Cívico, do caminho todo por onde a manifestação transitou, ou mesmo, para aqueles ‘nativos’ que estavam apenas circulando, inadvertidamente por sua rota, tais circunstâncias reavivaram a sensação de que professores e outros manifestantes – com destaque para suas lideranças, têm muito pouco respeito aos demais concidadãos. No caso dos participantes do evento de anteontem, já é notório o seu descaso com seus alunos, principais vítimas e em geral as únicas - das greves e outros tipos de ameaças que a ‘categoria’ pratica, no intuito de pressionar as respectivas autoridades constituídas, no que julga ser seu direito. Efetivamente, trata-se de um direito seu, o de se manifestar, nos limites do respeito à ordem pública e aos direitos dos demais 99,99% de curitibanos. Aliás, exemplo de cidadania que como professores e servidores públicos, todos teriam a obrigação de dar. Fica aqui a indagação, à moda da discussão sobre as origens primeiras, do ovo ou da galinha: entre nossos políticos e nossos professores da rede pública – quem ensina quem ? Ou quem dá mau exemplo a quem? Será que nossos políticos nasceram ‘em chocadeiras’, já crescidos e não passaram pela escola ?  

        A população em geral, que também inadvertidamente, mora nas cercanias das sedes dos poderes constituídos, pouco ou nada tem a ver com essas polêmicas. É uma maravilha acordar e ouvir, quer queiramos ou não, música ‘caipira-jéca’, discursos raivosos, via aparatos eletrônicos, elevados aos píncaros dos 200 dB, que manifestantes ou acampados, sejam sem-terras, professores ou sem-escrúpulos de todo gênero, que raivosos fazem desse espaço da cidade, seu pátio de manobras ! Como se não bastasse o Carnaval ... E aquelas ‘maravilhas’ de sambas-enredo !

      Rememorar esta data, para nós tem um sentido todo especial – como testemunhas oculares que fomos, do evento original de 1988. Manifestações políticas urbanas, nas últimas três ou quatro décadas, passaram a ser objeto de estudos, de sistematização de estratégias e táticas e de treinamento especializado, numa espécie de ‘guerrilha light’, em vários lugares do mundo, da Califórnia à Coréia do Sul, passando pelo Oriente-Médio, Balcãs, Doha e até na China. Em Curitiba, já se faziam coisas do gênero, durante a 1a. Guerra Mundial. Hoje, trata-se de dar ‘formação’ e tratamento personalizado aos espécimes, que à moda de ‘bois de piranha’ animam essas manifestações. O evento original tivemos oportunidade de observar por inteiro, desde as janelas no 4º. andar do Palácio; aliás, no ‘momento dos combates’, a sala ao lado àquela que estávamos, rotineiramente ocupada pelo Diretor Geral da Casa Civil, estava cedida para uma entrevista gravada, com o então Secretário da Segurança Pública, que frente à câmara da TV Iguaçu, perdeu a fala e quase caiu da cadeira, com a explosão da tal bomba.  Este fato tornou evidente, que aquela autoridade não tinha notícia, da posse desses artefatos pela ‘tropa’ destacada para ‘acompanhar o happening’; e muito menos, da possibilidade do seu uso irrefletido. Mas, ia falar sobre o assunto – ia dar e deu entrevista sobre o confronto.

      Não obstante, o começo de tudo, esteve a cargo de alguns ‘bois de piranha’, que teriam o papel de ‘esquentar’ os ânimos – dentre eles, um velho amigo nosso, professor aposentado do Município de Curitiba, Rubens Oliveira – que não sabemos se ainda vive e o que faz da vida. Com um grupo de mais umas três ou quatro pessoas, pretendia por todos os meios, armar uma barraca num canteiro que havia próximo à imagem Santa que dá nome à praça – hoje leito da rua. Acho que àquela época, esse tipo de ação já era objeto de algum tipo de reflexão e sistematização por aqui – para determinadas ‘atividades de campo’. Seriam lições de 1968 ?  As tentativas tenazes de armar a dita barraca, que nem se sabe o que iria abrigar, levaram com que algum portador menos avisado de bomba, fizesse uso da mesma; ‘restaurar a ordem’, por essa via era coisa habitual na formação militar – pouco afeita, ainda hoje, às práticas democráticas.  ‘Efeito moral’, não se sabe se voltado às próprias tropas ou aos manifestantes. O impacto maior, ao que parece, foi com os cavalos.  Cavalos e cavaleiros levaram um certo tempo, para 'acertar o passo' !   Este momento tem sido objeto de um esforço de cristalização, congelamento e eternização, por parte das sucessivas lideranças do magistério público – para uso em momentos de carência ‘focos motivacionais’ mais concretos ! 

      Do ponto de vista do Governo, a solução simples do problema, quer nos parecer, teria sido a demissão sumária do Titular da Segurança – que ao que tudo indica, foi quem mais se assustou – confiramos o registro televisivo. Decisão que o Chefe do Executivo da época, houve por bem não tomar. Preferiu carregar sozinho, para a posteridade e para a história, a ‘culpa’ pelo acontecido. E com isso, permitiu que pela pedagogia da repetição, fosse ano a ano reiterada essa tentativa de ‘reforço’ e perpetuação do mito !



Categoria: Causos & Coisas
Escrito por W. Pósnik às 17h39
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+ RESPONSABILIDADES !

        Diante das possibilidades crescentes, de mais um vexame no futebol (masculino), o que vem  se tornando, nos últimos tempos, mais e mais comum para a 'torcida brasileira' - coisa que cresceu ainda mais durante estas Olimpíadas, foram aumentando as responsabilidades femininas. Mesmo entre os jornalistas esportivos e a mídia em geral, a maioria botava mais fé no futebol das mulheres. Que por pouco, não chegam lá ! Perderam de 1 X 0, por um mero 'detalhe', como costumam dizer os técnicos de futebol. Essa expectativa geral, levou com que a audiência televisiva dos jogos seminais das nossas duas seleções, fosse maior, quando jogavam as 'nossas meninas'. Problema grave para a CBF e sua cúpula primitiva, não só pelo tempo imenso que está por lá - depois de uma espécie de sucessão dinástica, mas sobretudo, pelo seu estilo obtuso. Com esta charge anexa, aqui vai uma homenagem a elas, por estarem ocupando bem, mais este espaço;  que até há bem pouco tempo, era quase exclusivamente masculino. Clique no link a seguir e veja a imagem, das responsabilidades originais + mais esta atual:       http://mais.uol.com.br/view/cma7p0j09hvt/-responsabilidades--04023860DC910326?types=A&      

Escrito por W. Pósnik às 22h46
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16. DE MITOS E ILUSÕES FILOSÓFICAS, INSTITUCIONAIS E POLÍTICAS !

        Hoje, procuramos refletir mais um pouco sobre a realidade das Políticas Públicas de Cultura, em nosso País; reflexão esta, que também tem como motivação extra, a saída do Ministro Gilberto Gil - que muitos consideram um marco, um divisor de águas, na história do MinC – não fazemos parte desta linha de avaliação. Achamos que o ex-Ministro, construiu um belo discurso, na sua trajetória por lá, com muito pouca articulação ou repercussão institucional, no próprio MinC, ou no aparelho-de-estado em geral.

        Contudo, o que nos leva a escrever neste espaço, mais estas linhas, é uma lembrança, de uma velha e conhecida alegoria, o ‘Mito da Caverna’, de Platão. É claro que ao elaborar esta estória, sobre um grupo de pessoas aprisionadas, durante longo tempo, numa caverna escura, Platão tinha um propósito filosófico. Essas pessoas, acorrentadas imóveis, de costas para sua entrada, podiam observar apenas ao seu fundo, a projeção das silhuetas dos passantes, alguns carregando objetos e seus ruídos e vozes – como que num cenário do teatro das sobras. Com isso, passaram a ter a sensação de que a realidade concreta era aquilo. Um dos prisioneiros no entanto, conseguiu fugir; teve uma dificuldade imensa em se adaptar à luz e às novidades do mundo exterior - a realidade concreta. Tempos depois, após muitos dilemas, voltou à caverna, na tentativa de convencer os demais, que lá fora era diferente, muito melhor e havia liberdade. Depois de desacreditado acabou morto, pelos incrédulos. Mas, ao que tudo indica, deixou uma semente – uma dúvida, num ou noutro. O propósito do filósofo era mostrar que a ‘atitude filosófica’, não deve levar a estas falsas percepções, a esses erros; que o filósofo deve sempre desconfiar de suas percepções, desconfiar das formas padronizadas e quase ‘automáticas’, com que as pessoas 'simplificam' e 'completam' suas percepções da realidade concreta, mantendo-se na ilusão de que a conhecem com toda a objetividade.

        Este quadro exposto - narrado de forma muito mais nítida, objetiva e detalhada, no seu original, nos evoca, quando aplicado à Cultura, não a uma pergunta, mais a uma série delas: será que alguém, dentro ou fora do nosso Setor Público, conhece pormenorizadamente, a realidade objetiva da Área ? Há algum discurso articulado, desse processo de investigação, ou dos seus resultados ? Pois, afinal de contas, como atuar sobre um objeto de intervenção, por mais amorfo, banal e pautado no senso comum que possa parecer, para muitas mentes ‘desapetrechadas’, sem conhecê-lo sistemática e objetivamente ? Como é possível atuar, aproveitando a alegoria platônica, guiado por ilusões, equívocos de percepção, mistificações políticas, ou mesmo, desvios de rumo sob o aspecto moral e de valores ?

        Quer nos parecer que, para o aparelho-de-estado resgatar um mínimo de operacionalidade, eficácia de gestão e sentido republicano na sua atuação, seria necessário humildemente, a admissão da necessidade de retomada dos passos mais elementares da reflexão desta linha da filosofia grega clássica, moldada sucessivamente, pelos seus três expoentes máximos, Sócrates, Platão e Aristóteles: o que ? o por que ? e o para que ?  ‘Passos’ estes que balizam a instalação de um processo sólido, de conhecimento da realidade, prévio ou 'pari passu' à intervenção. Será que esse processo está instalado, será que ele existe algures ? Onde estão seus registros ? Cadê a nossa bibliografia a esse respeito ? Pois, como é elementar, à realidade brasileira, cabem soluções próprias, nossas ! E ainda, será que as nossas Instituições de Ensino Superior ou outros entes de pesquisa, públicos ou privados, estão sintonizados com essa questão ? Será que a importância capital da Cultura, como objetivo, como instrumento ou meio de mudança (não apenas, com culpada pelo nosso atraso), está bem colocada pela nossa 'inteligensia' e tem lugar relevante no imaginário coletivo da nossa sociedade ? Ficam aí essas perguntas, para quem se dignou a nos acompanhar até aqui !



Categoria: Políticas Públicas de Cultura
Escrito por W. Pósnik às 14h15
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15. HISTORY DEFACED: HERITAGE CREATION IN CONTEMPORARY EUROPE.

François Matarasso

Contact: matarasso@mac.com

        Paper delivered at the International Symposium ‘When Culture Makes the Difference: The Heritage, Arts and Media in a Multicultural Society’, organised by the Faculty of Foreign Languages and Literatures, Faculty of Humanities and Philosophy, University of Genoa, AEC the Italian Association for Cultural Economics in Genova 2004, and held on 19 – 21 November 2004.

ABSTRACT

        Evidence of the past is the wonder of the world. It surrounds us at every level, in every sphere: trees, mountains, ruins, houses, photographs, household objects – all are constant reminders of personal and shared history. This financial, cultural and spiritual wealth forms the inheritance within which we make our lives. It helps us situate ourselves in time and space by understanding who we are in relation to who others have been. But this inheritance is not history, only its raw materials; and it is not heritage, despite the linguistic similarities. Heritage is a human creation, a part of culture, masquerading as part of history. The reasons for, and consequences of, that disguise are the focus of my comments today.

 

        NOTA DO BLOG:     

        O texto completo deste artigo, pode ser acessado no site do boletim eletrônico francês 'Interactions-online.com' em  http://www.interactions-online.com/page_news.php?id_news=254&filtre_visu=0&pr=François%20Matarasso               Por outro lado, o que é reputada como a sua maior obra, o livro 'Use or Ornament ?  The Social Impact Of Participation in The Arts' by François Matarasso, Comedia, 1997 - também está inteiramente disponível, no site     http://www.comedia.org.uk/pages/pdf/downloads/use_or_ornament.pdf    

        Trata-se, como já foi mencionado neste blog, sobre este britânico de Nottingham/England, de um dos mais renomados pensadores internacionais sobre Políticas Públicas de Cultura (e há muitos outros britânicos nesta condição !) Muitas de suas contribuições podem ser localizadas, numa busca no portal 'Alta Vista'. Graças ao seu renome, tem sido requisitado, nos últimos 25 anos, para palestras e processos de consultoria, em todos os continentes - da América à Oceânia - mas, mais particularmente na Grã-Bretanha e na Europa.



Categoria: Políticas Públicas de Cultura
Escrito por W. Pósnik às 20h43
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NOSSO DESLIGAMENTO DA SEEC (3) Continuação

        Poderíamos fazer algo como o que o nosso Governador mantém, que é a desoneração das pequenas e médias empresas ... A sociedade faz (o que só ela é capaz de fazer !) e o poder público, atua supletivamente, potencializando os seus efeitos .... Ajudando ou pelo menos, não atrapalhando ... Não se diga que isto é uma posição ‘neoliberal’. É muito mais decorrente da falência do aparelho-de-estado ... E da precariedade do sistema cultural público. Em paralelo à desoneração das pequenas e médias empresas, poderíamos estar descobrindo os pequenos e médios talentos, as pequenas e médias experiências de preservação, os elementos significativos do imaginário coletivo, para ajudá-las a sobreviver, a crescer e a se desenvolver .... Incutindo-lhes responsabilidade social, sobretudo, pela discussão ampla de processos e produtos ... Com isso, dando-lhes visibilidade e gerando saldos de educação preservacionista e auto-estima.

        O nosso Ministro, por sua vez, mais parece um Weffort com viola (literalmente, ausente de tudo o que se faz por aqui ...), Faz bem seu ‘papel’, fora do País. À maneira do FHC e seus discursos pomposos, pelo mundo afora. Talvez, se fôssemos fazer comparações, seu antecessor no Minc fez mais ... Mesmo descontado o tempo maior que dispôs ...E ainda, em ‘silêncio obsequioso’ !

        Com relação a bibliografia e a produção acadêmica sobre o tema, é espantoso !  Não existe praticamente nada em português, sobre políticas públicas de cultura (mesmo em Portugal). A não ser essas porcarias sobre renúncia fiscal, fontes de financiamento, elaboração de projetos e coisas tais, típicas da ‘terceirização’ de ações e decisões do setor, do ciclo neoliberal, pelo qual nosso País passou, mas que já parece estar em refluxo. Os teóricos mais conceituados, ao nível internacional, como François Matarasso (inglês de Nottingham), e muitos outros britânicos, são quase unânimes ao recomendar o desenvolvimento de uma base de dados informacional sobre os fenômenos culturais, para posterior construção de indicadores; de modo a orientar as políticas e avaliar os resultados. Esse ‘cara’ vem dando, há muito tempo, consultoria através de entidades internacionais, para dezenas de países, da América à Oceania (mais recentemente, na Europa Oriental). Sempre, na direção da formação gradativa de uma base de dados, resultante de algum inventário, ou do próprio dia-a-dia de atuação da área, relacionada com o desenvolvimento cultural.

        Há avanços significativos, em alguns lugares, como Austrália, Canadá, Grã-Bretanha, França, Chile, México etc. Porém, não estamos muito distantes do que há de melhor; e aí talvez, esteja o cerne da questão: a minha visão utópica – não é difícil produzir essas mudanças ! Só falta superar a nossa inércia, o nosso conservantismo e nossas outras vacilações associadas. Outro exemplo, é do norte-americano do MIT, J. Mark Schuster, que inventariou as principais contribuições internacionais e promoveu em 2001, com apoio de parceiros de seu País, um seminário internacional, na Rutgers University (NJ), cujo resultado, também apontou a mesma direção; neste caso, tratava-se de discutir a formulação de políticas públicas de cultura, para os USA, aos níveis federal e dos estados. Tudo exposto no livro ‘Informing Cultural Policy’. Entre este País, que não tem instituições culturais públicas fortes (pela sua formação histórica) e nós, que supomos tê-las e não as temos, há muitas semelhanças e muitos paralelos a serem feitos.

        A chamada ‘Cartografia Cultural’, presente quase que acidentalmente, no discurso do atual Titular do MinC, tem versões consistentes, no México e no Chile; nada mais é do que um inventário, devidamente espacializado e mapeado, tanto do patrimônio material ou imaterial, como do desenvolvimento artístico ou mais particularmente, neste último caso, da infra-estrutura humana, institucional e material para o desenvolvimento das artes. Já que o poder público, entre nós, não tem (nem acho que virá a ter) cacife para reverter a inércia dos 0,0% de orçamento e de presença no imaginário coletivo, só uma parceria forte e de caráter direto e permanente com a sociedade, poderá mudar esse quadro. Daí a necessidade de conhecer, por inteiro, o esforço que a sociedade vem empreendendo. Sem essa parceria e mais visibilidade, a cultura sempre estará fora do foco dos principais debates. Será, quando muito, culpada do nosso atraso.

        Em resumo, o que eu acho que precisa ser feito, é um inventário participativo, tanto na área de patrimônio, quanto no desenvolvimento cultural. Que gere saldos educativos, já no seu processo de desencadeamento. Que mexa consistentemente, com o imaginário coletivo ... Que coloque a questão cultural, gradativamente, mais próxima do foco principal, das questões maiores da sociedade .... Para isso, é preciso conceber uma metodologia, para levantar, classificar e hierarquizar as informações. Mas talvez, aplicá-la de fora do setor público ... Por algum ente do chamado ‘terceiro setor’. A inércia (falta de iniciativas firmes) e o conservantismo clientelista, estão de tal forma encalacrados no setor público, que mantidas as atuais condições de temperatura e pressão, não há saídas visíveis, à médio prazo, para esse impasse.

        É possível também, que um processo destes, deva ser feito, do centro para a periferia, isto é, focado nos grandes e médios municípios paranaenses (10 a 15%, isto é, cerca de 50-60, inicialmente), já dotados de competências instaladas, que mais adiante, poderiam ajudar a disseminar esse processo complexo, por todo o território estadual; como decorrência até, de processos de responsabilidade social, antes referidos. Desenvolvimento cultural, em parceria com a sociedade, depende de garimparmos os parceiros, que não estariam na periferia e instrumentá-los melhor, nas técnicas específicas de cada atividade, no associativismo, no empreendedorismo e outras técnicas de gestão (pública e privada), de modo que consigamos multiplicar nossas ações, sempre numa perspectiva de desenvolvimento emancipador e buscando gradativamente, níveis crescentes de sustentabilidade.

        Isto tudo, pode ser classificado, de forma simplista, como ‘coisa de sociólogo’. Se essa classificação continuar dominante, estas e outras palavras, ditas até aqui, foram inúteis. Perdemos, eu e você, mais um pouco do nosso tempo precioso, tempo este, não do poder público, mas, pelo menos no meu caso, das nossas vidas. Com um grande abraço. Wilson.  PS. Ainda me considero ‘em férias’. Vi o trabalho de campanha, ontem na rua Senador Alencar Guimarães , com a praça Ruy Barbosa. Lá estavam o José Luiz, o Emílio Lima, o Prof. Altino, entre outros, em pleno agito das 18:00h. Vou me engajar nisto, mais adiante. Provavelmente, lá no Comitê Sanepar-Cultura. Soube pelo Renato, que o Moraes está novamente encarregado de coordenar o grupo de trabalho do ‘Plano de Governo’, para o próximo período. E que o próprio Renato havia sito designado para representar a área da Cultura. Boa sorte a ambos. Já vi esse filme. Tipo ‘O Vendedor de Ilusões’!

Observação final, de hoje, 07/07/08: não participei da campanha à reeleição do nosso Governador. O próprio me havia recomendado, num encontro que tivemos no nosso barbeiro: ‘fale com o Maurício’. Lamentavelmente, isto não foi possível, em tempo hábil ! Problemas de estilo, do irmão e meu ! Contudo, continuo com o maior respeito pelo nosso Governador !  Para ele, o 'me chama que eu vou', continua valendo.  Só não me interessa, qualquer achego direto, com a máquina pública !



Categoria: Causos & Coisas
Escrito por W. Pósnik às 23h07
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NOSSO DESLIGAMENTO DA SEEC (2) Continuação.

        Minha expectativa, na SEEC de 2002-03, era da mesma natureza. Muitos desafios e nenhuma pompa. Aliás, eu odeio isso: paletó, gravata, motorista, discursos,‘entourage’, ‘liturgia do cargo’ ... Meus vizinhos até passaram a me olhar ‘torto’ ... E com razão ... Hoje em dia, ao andar em carro oficial por aí, a gente se arrisca no mínimo, ser hostilizado ... Como eu te disse algumas vezes, além de eu ser um tanto quanto utópico (reflexos talvez, dos tempos da militância no ‘Partidão’ na universidade -1966-69, tempo em que conheci teu irmão ... ), tenho necessidade, como questão do dia-a-dia, da reflexão, do compartilhamento do meu conhecimento e da minha experiência acumulada, com a das pessoas, à minha volta. Conhecimento este, que no meu caso, em verdade é pequeno, mas que nas trocas com os companheiros de trabalho, mesmo estagiários (aliás, com aqueles que tenham o que dizer, aqueles que costumam ler algo mais que o Diário Oficial ou a ‘Tribuna’ ...), a gente soma e encontra o melhor caminho. Numa perspectiva colaborativa, de compartilhamento dos conhecimentos, talvez até ingênua .... Nada a ver, com rotinas operacionais ...

        Supuz que haveria, pelo menos, momentos dessas trocas, inclusive com você. Não necessariamente, com a tua participação direta, durante todo o processo. Mas que no mínimo, fosse permitido e estimulado algo assim. A ser, ‘nos finalmente’ submetido ao teu julgamento. Não foi o que aconteceu. Ou, pelo menos, eu nunca vi acontecer. É possível que estas reflexões só tenham se dado, com determinados setores da nossa clientela, nas quatro paredes do teu Gabinete – aliás, esse é um processo típico dos nossos ‘dirigentes culturais’, de uma maneira geral.  E ainda, quer me parecer que você odeia isso ... Tipo ‘reflexão acadêmica’ inútil... Provavelmente, na suposição de que quem está ‘no poder’, sabe tudo, ou mesmo, conta com uma delegação para fazer e acontecer ! Veja, por exemplo, a questão dos grandes problemas de comunicação interna, apontados naquele Seminário Interno: a idéia de um ‘boletim eletrônico’, foi avaliada por você (ou pela Sonia, supostamente em teu nome), como diletante. Seria uma forma de comunicação solidária ... Que ‘morreu na casca’. O Edson montou a coisa, em colaboração com a Elisa e a Cris e eu disse a eles, diante do quadro, que não seria o caso de colocá-lo no ar !

        Parece-me agora, vendo de fora esse ‘imbroglio’ todo, que você prefere as abordagens mais pragmáticas, do teu ‘esquadrão samurai’ (que não se permite, discutir com o mestre, mas apenas, concordar, subservientemente;  sabe como é: polaco ou espanhol, não fazem esse gênero !!!).  A esse grupo eu agregaria o Renato (podendo lhe ser recomendada uma operação plástica ‘no zóio’). As duas nipônicas são burocratas de primeiríssima linha, com as quais como você, tive uma convivência utilitária, por muito tempo ... Mas a quem não fica bem perguntar, o que elas leram, nos últimos 10-20 ... anos, sobre Educação ou sobre Cultura, áreas pelas quais ‘passamos’, eu e elas juntos ... E quanto ao ex-companheiro, acho que ele não tem vocação para historiador, na plena acepção do termo, por não ser um generalista. E ainda, não sei se por vocação, escolha ou excesso de tarefas diversificadas, foi assumindo gradativamente, uma posição burocrática, com relação à sua tarefa original (‘O Paraná da Gente’); e o resultado é bem conhecido: produtos, sem processo de sustentação e ainda, sem repercussão alguma, principalmente, nas comunidades locais. Esta situação foi construída, por iniciativa própria e/ou com o teu concentimento, uma vez que as outras contribuições dele, te agradavam sobremaneira. O que o levou a deixar de lado, ou em segundo plano, aquela tarefa, dita original.

        Nada disso aconteceu por acaso. Reflexões não são o forte na administração pública. Nela em geral, se tem as melhores oportunidades de treinamento e desenvolvimento técnico. Mas, quase nada se aplica, ‘na real’ ... Tais processos de desenvolvimento de RH são inclusive, feitos em momentos e contextos, totalmente deslocados das condições reais de trabalho ... Veja o exemplo daquele nosso Seminário Interno com o Luiz André (em 1991): embora tivesse um foco razoável, nada daquilo se aplicou, posteriormente. Da mesma forma, naquele Seminário Interno, no Hotel ‘Paraná Golf’, em 2004. Com uma agravante: aquele ‘cara’ da PUC que deu a palestra principal, era um autêntico ‘ET’: saiu do nosso breve convívio, mais perdido do que tinha entrado. Acho que isto envolveu, da parte dele, uma completa irresponsabilidade acadêmica e profissional. Não sabia nada da área da Cultura, nem do setor público - até parece que achou que a solução dos nossos problemas era ‘genérica’, transplantável do setor privado (que parece que ele também não conhece bem !) ... E aquela psicóloga (acho eu), indicada pela Sônia, que fez o ‘feijão com arroz’, de ‘aquecimento’/dinâmica de grupo, completou bem o quadro. Aquelas ‘brincadeiras’, para um grupo que já se conhecia e não se integrava, até por já se conhecer bem, foi ‘demais’ ... . Essas técnicas ‘americanóides’, de ‘aquecimento’ e redução da impessoalidade, problemas típicos das organizações anglo-saxônicas, não fazem nenhum sentido na nossa realidade. Aplicar essas técnicas, numa cultura já ‘quente’ e bastante informal, em termos das suas relações internas, têm até efeito contrário ao proposto. Passam até por ridicularização. Essa ‘transculturação’ é no mínimo, um equívoco metodológico, para não dizer, burrice. Modismo praticado à exaustão, nas organizações privadas, que ‘pagam bem’ por essa besteira toda ! Inadequado em termos culturais, para estas ... E que se poderia dizer, para o setor público ...

        Bem, mas eu falava de reflexão. Eu a fiz, durante mais de um ano, quase que sozinho. Convoquei umas 30 (trinta) pessoas, internas e externas. Diálogo quase inútil ... A grande maioria, não tinha posição alguma, com relação a políticas públicas da área. Muitos, só tinham restrição a esboçar ... Nenhuma proposta ... Falei até mesmo com a Vice-Reitora da UFPR, Dra. Maria Tarcisa ... Só valeu com o Elói Zanetti !!!  Que percebeu muito bem, a relação entre políticas públicas de cultura e comunicação.  No conjunto, a coisa foi bastante desalentadora ... Mas nada que me leve à desistir ... Poderia ser um processo menos demorado, se tivesse parceiros .... Acho, como eu já disse por aí, que no nosso setor público, em qualquer das suas esferas, por estranho que possa parecer, não se praticam políticas públicas de cultura. E pior, ninguém parece saber o que isso ... E dessa forma, não somos capazes de usar instrumentos culturais para transformação consistente e a promoção do desenvolvimento sustentado da nossa sociedade.



Categoria: Causos & Coisas
Escrito por W. Pósnik às 23h04
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