DE FHC E DE OUTROS INTELECTUAIS !

      Nos ‘links’ que recomendados, listados na coluna ao lado, está a excelente publicação mensal britânica ‘Prospect Magazine’ (em inglês). O curioso da edição deste mês de maio, é uma eleição virtual dos ‘100 Mais’, entre os intelectuais mais influentes do mundo de hoje (vivos), disponível em         http://www.prospect-magazine.co.uk/intellectuals        Que aliás, todos podem votar !          

      Não é surpresa que o lingüista e ativista norte americano Noam Chomsky, seja o número ‘1’ da lista. A surpresa está na presença de FHC, entre os relativamente bem votados.  Achamos que tudo se deve à sua ‘competência performática’, na nossa ribalta política, nas suas viagens diletantes, na sua ‘pose’ de professor, de suposto ‘criador’ do Plano Real – evidentemente, pontilhada de falsidades – pólvora ruim, fraca e de muita fumaça !  Afinal de contas, muito do que lhe foi atribuído e que ele pregava nos seus livros, da sua ‘fase acadêmica’ – sobretudo com respeito às teses sobre o tal de ‘desenvolvimento dependente’, a sua ‘prática’ política renegou. Folclore à parte, o ‘esqueçam o que eu escrevi‘, que ele afirmou que nunca disse, na verdade tornaram sua ‘maneira de pensar’ - passado e presente, um emaranhado de sofismas oportunistas, cada um moldado para um determinado momento da sua ‘carreira’ ou contexto vivido.  Coisas, parece que do gosto deste público externo, o que permite a FHC faturar bons dólares em palestras pelo mundo ocidental afora, fazendo concorrência a velhos espécimes nesta labuta, como Henry Kissinger e outros, não tão velhos neste 'affaire', como Bill Clinton - dólares estes que 'enriquecem o currículo' destes 'intelectuais' de subúrbio. 

      Achamos que um dos seus principais ‘feitos’, foi induzir o ditador de plantão dos anos '60 a um erro - a sua ‘cassação’, isto é, a sua aposentadoria compulsória como professor da USP – ‘carimbo’ fundamental para qualquer carreirista - dito de esquerda, para se diferenciar do ‘status quo’ daquele regime. Isto o ajudou muito, a sair da obscuridade: virar 'Chanceler', Ministro da Fazenda, Candidato e depois, Presidente.  

      Analisar esse labirinto acaba por converter nossa exegese, nosso problema, num misto de análise da linguagem apoiado na álgebra.  Para bem entendê-lo, teremos que nos socorrer daquelas regrinhas, repetidas à exaustão pelos nossos velhos professores de matemática do colégio: ‘mais’ com ‘mais’, dá ‘mais’; ‘menos’ com ‘menos’, dá ‘menos’; sinais diferentes, diminui-se e se dá o sinal do maior .... Se ele nega o que disse ou mesmo, nega que tenha dito que negou o que afirmara antes, o que foi que ele disse mesmo ???  

      Pode uma coisa dessas ! Termos que usar um ‘ferramental’ como o sugerido, para entendermos o ‘pensamento do nosso grande intelectual’ (pelo menos, para os leitores do  'Prospect') ?  Pois é, apesar da ‘figura’ ter colocado tudo o que escreveu ou disse na academia, ‘no baú da história’, no esquecimento e assumido uma postura neoliberal (como um Fernando Collor ‘melhorado’, para o 'establishment' político), o público externo, parece ter ficado bem impressionado com a sua performance político-intelectual – é provável, justamente por esses seus arreglos neoliberais. Claro que, tal ‘público’ desconhece que o que lhe é atribuído, como principal feito, como proposta acadêmica original, na verdade não é de sua autoria, mas do seu parceiro, o economista chileno Enzo Faletto. Ou as suas posições de 'esquerda', motivo da cassação. Ou ainda, a autoria do Plano Real ... E precisa mais ?

      E ainda tem gente, neste País, que culpa o brasileiro comum, por espertesas, 'jeitinhos', malandragens e coisas tais ! Por essas e por outras, que durante esta sua 'fase performática', nós nos confessávamos ‘um sociólogo envergonhado’ !