Blog do Pósnik


NOSSO DESLIGAMENTO DA SEEC (3) Continuação

        Poderíamos fazer algo como o que o nosso Governador mantém, que é a desoneração das pequenas e médias empresas ... A sociedade faz (o que só ela é capaz de fazer !) e o poder público, atua supletivamente, potencializando os seus efeitos .... Ajudando ou pelo menos, não atrapalhando ... Não se diga que isto é uma posição ‘neoliberal’. É muito mais decorrente da falência do aparelho-de-estado ... E da precariedade do sistema cultural público. Em paralelo à desoneração das pequenas e médias empresas, poderíamos estar descobrindo os pequenos e médios talentos, as pequenas e médias experiências de preservação, os elementos significativos do imaginário coletivo, para ajudá-las a sobreviver, a crescer e a se desenvolver .... Incutindo-lhes responsabilidade social, sobretudo, pela discussão ampla de processos e produtos ... Com isso, dando-lhes visibilidade e gerando saldos de educação preservacionista e auto-estima.

        O nosso Ministro, por sua vez, mais parece um Weffort com viola (literalmente, ausente de tudo o que se faz por aqui ...), Faz bem seu ‘papel’, fora do País. À maneira do FHC e seus discursos pomposos, pelo mundo afora. Talvez, se fôssemos fazer comparações, seu antecessor no Minc fez mais ... Mesmo descontado o tempo maior que dispôs ...E ainda, em ‘silêncio obsequioso’ !

        Com relação a bibliografia e a produção acadêmica sobre o tema, é espantoso !  Não existe praticamente nada em português, sobre políticas públicas de cultura (mesmo em Portugal). A não ser essas porcarias sobre renúncia fiscal, fontes de financiamento, elaboração de projetos e coisas tais, típicas da ‘terceirização’ de ações e decisões do setor, do ciclo neoliberal, pelo qual nosso País passou, mas que já parece estar em refluxo. Os teóricos mais conceituados, ao nível internacional, como François Matarasso (inglês de Nottingham), e muitos outros britânicos, são quase unânimes ao recomendar o desenvolvimento de uma base de dados informacional sobre os fenômenos culturais, para posterior construção de indicadores; de modo a orientar as políticas e avaliar os resultados. Esse ‘cara’ vem dando, há muito tempo, consultoria através de entidades internacionais, para dezenas de países, da América à Oceania (mais recentemente, na Europa Oriental). Sempre, na direção da formação gradativa de uma base de dados, resultante de algum inventário, ou do próprio dia-a-dia de atuação da área, relacionada com o desenvolvimento cultural.

        Há avanços significativos, em alguns lugares, como Austrália, Canadá, Grã-Bretanha, França, Chile, México etc. Porém, não estamos muito distantes do que há de melhor; e aí talvez, esteja o cerne da questão: a minha visão utópica – não é difícil produzir essas mudanças ! Só falta superar a nossa inércia, o nosso conservantismo e nossas outras vacilações associadas. Outro exemplo, é do norte-americano do MIT, J. Mark Schuster, que inventariou as principais contribuições internacionais e promoveu em 2001, com apoio de parceiros de seu País, um seminário internacional, na Rutgers University (NJ), cujo resultado, também apontou a mesma direção; neste caso, tratava-se de discutir a formulação de políticas públicas de cultura, para os USA, aos níveis federal e dos estados. Tudo exposto no livro ‘Informing Cultural Policy’. Entre este País, que não tem instituições culturais públicas fortes (pela sua formação histórica) e nós, que supomos tê-las e não as temos, há muitas semelhanças e muitos paralelos a serem feitos.

        A chamada ‘Cartografia Cultural’, presente quase que acidentalmente, no discurso do atual Titular do MinC, tem versões consistentes, no México e no Chile; nada mais é do que um inventário, devidamente espacializado e mapeado, tanto do patrimônio material ou imaterial, como do desenvolvimento artístico ou mais particularmente, neste último caso, da infra-estrutura humana, institucional e material para o desenvolvimento das artes. Já que o poder público, entre nós, não tem (nem acho que virá a ter) cacife para reverter a inércia dos 0,0% de orçamento e de presença no imaginário coletivo, só uma parceria forte e de caráter direto e permanente com a sociedade, poderá mudar esse quadro. Daí a necessidade de conhecer, por inteiro, o esforço que a sociedade vem empreendendo. Sem essa parceria e mais visibilidade, a cultura sempre estará fora do foco dos principais debates. Será, quando muito, culpada do nosso atraso.

        Em resumo, o que eu acho que precisa ser feito, é um inventário participativo, tanto na área de patrimônio, quanto no desenvolvimento cultural. Que gere saldos educativos, já no seu processo de desencadeamento. Que mexa consistentemente, com o imaginário coletivo ... Que coloque a questão cultural, gradativamente, mais próxima do foco principal, das questões maiores da sociedade .... Para isso, é preciso conceber uma metodologia, para levantar, classificar e hierarquizar as informações. Mas talvez, aplicá-la de fora do setor público ... Por algum ente do chamado ‘terceiro setor’. A inércia (falta de iniciativas firmes) e o conservantismo clientelista, estão de tal forma encalacrados no setor público, que mantidas as atuais condições de temperatura e pressão, não há saídas visíveis, à médio prazo, para esse impasse.

        É possível também, que um processo destes, deva ser feito, do centro para a periferia, isto é, focado nos grandes e médios municípios paranaenses (10 a 15%, isto é, cerca de 50-60, inicialmente), já dotados de competências instaladas, que mais adiante, poderiam ajudar a disseminar esse processo complexo, por todo o território estadual; como decorrência até, de processos de responsabilidade social, antes referidos. Desenvolvimento cultural, em parceria com a sociedade, depende de garimparmos os parceiros, que não estariam na periferia e instrumentá-los melhor, nas técnicas específicas de cada atividade, no associativismo, no empreendedorismo e outras técnicas de gestão (pública e privada), de modo que consigamos multiplicar nossas ações, sempre numa perspectiva de desenvolvimento emancipador e buscando gradativamente, níveis crescentes de sustentabilidade.

        Isto tudo, pode ser classificado, de forma simplista, como ‘coisa de sociólogo’. Se essa classificação continuar dominante, estas e outras palavras, ditas até aqui, foram inúteis. Perdemos, eu e você, mais um pouco do nosso tempo precioso, tempo este, não do poder público, mas, pelo menos no meu caso, das nossas vidas. Com um grande abraço. Wilson.  PS. Ainda me considero ‘em férias’. Vi o trabalho de campanha, ontem na rua Senador Alencar Guimarães , com a praça Ruy Barbosa. Lá estavam o José Luiz, o Emílio Lima, o Prof. Altino, entre outros, em pleno agito das 18:00h. Vou me engajar nisto, mais adiante. Provavelmente, lá no Comitê Sanepar-Cultura. Soube pelo Renato, que o Moraes está novamente encarregado de coordenar o grupo de trabalho do ‘Plano de Governo’, para o próximo período. E que o próprio Renato havia sito designado para representar a área da Cultura. Boa sorte a ambos. Já vi esse filme. Tipo ‘O Vendedor de Ilusões’!

Observação final, de hoje, 07/07/08: não participei da campanha à reeleição do nosso Governador. O próprio me havia recomendado, num encontro que tivemos no nosso barbeiro: ‘fale com o Maurício’. Lamentavelmente, isto não foi possível, em tempo hábil ! Problemas de estilo, do irmão e meu ! Contudo, continuo com o maior respeito pelo nosso Governador !  Para ele, o 'me chama que eu vou', continua valendo.  Só não me interessa, qualquer achego direto, com a máquina pública !



Categoria: Causos & Coisas
Escrito por W. Pósnik às 23h07
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NOSSO DESLIGAMENTO DA SEEC (2) Continuação.

        Minha expectativa, na SEEC de 2002-03, era da mesma natureza. Muitos desafios e nenhuma pompa. Aliás, eu odeio isso: paletó, gravata, motorista, discursos,‘entourage’, ‘liturgia do cargo’ ... Meus vizinhos até passaram a me olhar ‘torto’ ... E com razão ... Hoje em dia, ao andar em carro oficial por aí, a gente se arrisca no mínimo, ser hostilizado ... Como eu te disse algumas vezes, além de eu ser um tanto quanto utópico (reflexos talvez, dos tempos da militância no ‘Partidão’ na universidade -1966-69, tempo em que conheci teu irmão ... ), tenho necessidade, como questão do dia-a-dia, da reflexão, do compartilhamento do meu conhecimento e da minha experiência acumulada, com a das pessoas, à minha volta. Conhecimento este, que no meu caso, em verdade é pequeno, mas que nas trocas com os companheiros de trabalho, mesmo estagiários (aliás, com aqueles que tenham o que dizer, aqueles que costumam ler algo mais que o Diário Oficial ou a ‘Tribuna’ ...), a gente soma e encontra o melhor caminho. Numa perspectiva colaborativa, de compartilhamento dos conhecimentos, talvez até ingênua .... Nada a ver, com rotinas operacionais ...

        Supuz que haveria, pelo menos, momentos dessas trocas, inclusive com você. Não necessariamente, com a tua participação direta, durante todo o processo. Mas que no mínimo, fosse permitido e estimulado algo assim. A ser, ‘nos finalmente’ submetido ao teu julgamento. Não foi o que aconteceu. Ou, pelo menos, eu nunca vi acontecer. É possível que estas reflexões só tenham se dado, com determinados setores da nossa clientela, nas quatro paredes do teu Gabinete – aliás, esse é um processo típico dos nossos ‘dirigentes culturais’, de uma maneira geral.  E ainda, quer me parecer que você odeia isso ... Tipo ‘reflexão acadêmica’ inútil... Provavelmente, na suposição de que quem está ‘no poder’, sabe tudo, ou mesmo, conta com uma delegação para fazer e acontecer ! Veja, por exemplo, a questão dos grandes problemas de comunicação interna, apontados naquele Seminário Interno: a idéia de um ‘boletim eletrônico’, foi avaliada por você (ou pela Sonia, supostamente em teu nome), como diletante. Seria uma forma de comunicação solidária ... Que ‘morreu na casca’. O Edson montou a coisa, em colaboração com a Elisa e a Cris e eu disse a eles, diante do quadro, que não seria o caso de colocá-lo no ar !

        Parece-me agora, vendo de fora esse ‘imbroglio’ todo, que você prefere as abordagens mais pragmáticas, do teu ‘esquadrão samurai’ (que não se permite, discutir com o mestre, mas apenas, concordar, subservientemente;  sabe como é: polaco ou espanhol, não fazem esse gênero !!!).  A esse grupo eu agregaria o Renato (podendo lhe ser recomendada uma operação plástica ‘no zóio’). As duas nipônicas são burocratas de primeiríssima linha, com as quais como você, tive uma convivência utilitária, por muito tempo ... Mas a quem não fica bem perguntar, o que elas leram, nos últimos 10-20 ... anos, sobre Educação ou sobre Cultura, áreas pelas quais ‘passamos’, eu e elas juntos ... E quanto ao ex-companheiro, acho que ele não tem vocação para historiador, na plena acepção do termo, por não ser um generalista. E ainda, não sei se por vocação, escolha ou excesso de tarefas diversificadas, foi assumindo gradativamente, uma posição burocrática, com relação à sua tarefa original (‘O Paraná da Gente’); e o resultado é bem conhecido: produtos, sem processo de sustentação e ainda, sem repercussão alguma, principalmente, nas comunidades locais. Esta situação foi construída, por iniciativa própria e/ou com o teu concentimento, uma vez que as outras contribuições dele, te agradavam sobremaneira. O que o levou a deixar de lado, ou em segundo plano, aquela tarefa, dita original.

        Nada disso aconteceu por acaso. Reflexões não são o forte na administração pública. Nela em geral, se tem as melhores oportunidades de treinamento e desenvolvimento técnico. Mas, quase nada se aplica, ‘na real’ ... Tais processos de desenvolvimento de RH são inclusive, feitos em momentos e contextos, totalmente deslocados das condições reais de trabalho ... Veja o exemplo daquele nosso Seminário Interno com o Luiz André (em 1991): embora tivesse um foco razoável, nada daquilo se aplicou, posteriormente. Da mesma forma, naquele Seminário Interno, no Hotel ‘Paraná Golf’, em 2004. Com uma agravante: aquele ‘cara’ da PUC que deu a palestra principal, era um autêntico ‘ET’: saiu do nosso breve convívio, mais perdido do que tinha entrado. Acho que isto envolveu, da parte dele, uma completa irresponsabilidade acadêmica e profissional. Não sabia nada da área da Cultura, nem do setor público - até parece que achou que a solução dos nossos problemas era ‘genérica’, transplantável do setor privado (que parece que ele também não conhece bem !) ... E aquela psicóloga (acho eu), indicada pela Sônia, que fez o ‘feijão com arroz’, de ‘aquecimento’/dinâmica de grupo, completou bem o quadro. Aquelas ‘brincadeiras’, para um grupo que já se conhecia e não se integrava, até por já se conhecer bem, foi ‘demais’ ... . Essas técnicas ‘americanóides’, de ‘aquecimento’ e redução da impessoalidade, problemas típicos das organizações anglo-saxônicas, não fazem nenhum sentido na nossa realidade. Aplicar essas técnicas, numa cultura já ‘quente’ e bastante informal, em termos das suas relações internas, têm até efeito contrário ao proposto. Passam até por ridicularização. Essa ‘transculturação’ é no mínimo, um equívoco metodológico, para não dizer, burrice. Modismo praticado à exaustão, nas organizações privadas, que ‘pagam bem’ por essa besteira toda ! Inadequado em termos culturais, para estas ... E que se poderia dizer, para o setor público ...

        Bem, mas eu falava de reflexão. Eu a fiz, durante mais de um ano, quase que sozinho. Convoquei umas 30 (trinta) pessoas, internas e externas. Diálogo quase inútil ... A grande maioria, não tinha posição alguma, com relação a políticas públicas da área. Muitos, só tinham restrição a esboçar ... Nenhuma proposta ... Falei até mesmo com a Vice-Reitora da UFPR, Dra. Maria Tarcisa ... Só valeu com o Elói Zanetti !!!  Que percebeu muito bem, a relação entre políticas públicas de cultura e comunicação.  No conjunto, a coisa foi bastante desalentadora ... Mas nada que me leve à desistir ... Poderia ser um processo menos demorado, se tivesse parceiros .... Acho, como eu já disse por aí, que no nosso setor público, em qualquer das suas esferas, por estranho que possa parecer, não se praticam políticas públicas de cultura. E pior, ninguém parece saber o que isso ... E dessa forma, não somos capazes de usar instrumentos culturais para transformação consistente e a promoção do desenvolvimento sustentado da nossa sociedade.



Categoria: Causos & Coisas
Escrito por W. Pósnik às 23h04
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NOSSO DESLIGAMENTO DA SEEC (1) - OU P'RÁ NÃO DIZER QUE NÃO FALEI EM FLORES !

        Para satisfazer à curiosidade de alguns ex-colegas de trabalho, da Secretaria de Estado da Cultura (do Paraná) e sobretudo, àqueles nossos grandes amigos da área ou do setor público, que deixamos por lá, vamos postar neste nosso espaço de provocação e reflexão democrática, o texto da mensagem que remetemos à Titular daquela Pasta, sobre as razões de nossa saída. Que para a surpresa dela e de todos nós, seis meses depois, ao final do mandato governamental, permaneceu no posto, durante o segundo mandato do nosso Governador. Surpresa, diríamos, porque ela tinha como opositores, alguns familiares ‘de peso’ do Chefe do Executivo. Mas, isso já são águas passadas !

        A idéia de torná-la pública, marca a data de hoje, quando já se passaram exatamente, dois anos do nosso desligamento daquele órgão público. As razões aparentes, estiveram associadas às críticas que fizemos, em documento interno de caráter pessoal - tornado público, em que tecíamos considerações e críticas, sobre os interesses e motivações de certos ‘próceres da classe artística’, acestados nalgumas instituições associativas do nosso setor cultural, nas suas tentativas de ocupar espaços de representação, nas várias frentes de discussão das questões culturais. Muitas vezes, adotando práticas viciadas de arregimentação, processos de discussão orquestrados. Para estes personagens e para suas claques, ficou e se passou a impressão, que fôramos defenestrados, pelas suas pressões subseqüentes. Enganaram-se.

        Como afirmamos inúmeras vezes, antes e depois do ocorrido, na área da Cultura, enquanto espaço de discussão e manifestação social, onde quase tudo é permitido, vive-se um clima democrático da maior permissividade, que vai desde questões relativas à orientação sexual dos seus integrantes, até à banalização da obra de arte, pela sua negação, como questão de pós-modernidade; quase tudo, como dissemos, é permitido, menos a mediocridade. As instituições culturais, públicas ou privadas, por sua vez, como espaços hierarquizados de representação formal, muito há que ser feito, pela sua democratização e representatividade social. Autoritarismo e mediocridade, em tese, diga-se de passagem, são dois elementos incompatíveis com os pressupostos teóricos, vamos dizer assim, mais comezinhos, de qualquer ação de desenvolvimento cultural. E nisso se centram mais fortemente, nossas razões para desligamento, expressas talvez, não com a objetividade necessária ao público em geral, mas com a suficiente clareza, aos destinatários imediatos da mesma, á época. Como a ‘peça’ é longa, teremos que parcelá-la. Vamos ao texto:

                                                                                                                           Curitiba, 19 de julho de 2006.

Prezada Vera:

        Remeto estas linhas, na suposição de consolidar várias tentativas de reflexão, que não prosperaram, por inúmeras razões, umas minhas, outras tuas; nestas últimas, a tua alegada falta de tempo. Tempo que pode talvez, ter tido problemas de distribuição mais equitativa, na eleição de prioridades de atuação, na escolha dos focos de enfrentamento de problemas ou ainda, decorrentes de outras variáveis desconhecidas ou mal interpretadas por mim, das vertentes exclusivas do universo feminino. Sempre classifiquei, genericamente (não sei se de forma politicamente correta), essa questão como ‘idiossincrasias femininas’; uma série de coisas que eu não conseguia entender, como os teus conflitos latentes, com a metade das mulheres do grupo. Com umas permanentemente; com outras, com foco eventual. Processo este, com toda uma dinâmica própria.

        Primeiro, acho que devo fazer minha autocrítica: a última missão burocrática que encarei por inteiro, foi em meados dos anos ’60, no então Departamento de Fazenda da Prefeitura de Curitiba. Atendia balcão e tinha que conhecer o conjunto das normas jurídico-burocráticas pertinentes, para repassá-las ao público, sobre a atuação da área. E ainda, prestava serviços internos, desta mesma natureza. Portanto, para o que você esperava de mim, eu não estava preparado. Foi um equívoco da minha parte, aceitar essas funções (embora, à época, eu não imaginasse a prioridade no ‘varejo’ e o grau de centralização das decisões, com que você iria atuar !). Desde então, nunca mais lidei com isso. Planejamento (por onde passei mais de 25 anos), sempre teve sua burocracia própria; talvez até, no setor público de hoje, reduza-se a apenas a isso ! Mas nada a ver com o grosso e o núcleo do formalismo burocrático do setor público - especialmente, das áreas da Casa Civil, Fazenda, de Pessoal, Previdência, Administração Geral ou Jurídica. Portanto, nesta função que você me atribuiu - outros companheiros foram consultados, a respeito de seus respectivos interesses – eu, positivamente, não, me dei bem ! Isto somado à divisão do trabalho, que foi sendo construída, desde os primeiros tempos, com você gradativamente, centralizando tudo, me dei mal, me tornei inútil ! É claro que a minha atitude, também contribuiu para isso ... Não devia ter aceito, com já havia feito antes, em ocasiões semelhantes. Nas poucas vezes em que você me mencionou, na fase de formação da equipe, sempre foi muito incisiva, ao me atribuir as funções que deixei recentemente, como eu te disse, com grande alívio. E eu, diante do quadro, deveria ter saído, um ano e meio atrás ou mais ... Mas, acho que sou também, um polaco teimoso ... E ainda não me dei por vencido ... Ou seja, continuarei focado nas questões do setor público da cultura, mesmo ‘solito’ !

        Como tenho dito há muito tempo, na administração pública, nenhuma tarefa me assustou ou assusta. Já exerci funções semelhantes, no Governo Álvaro, na Casa Civil e na SEAD (com o Gino Azzolini - antes dele ir para a Prefeitura de Londrina). Nesta última (SEAD), a burocracia geral era tratada pelo Erickson, a de pessoal pela Beatriz e eu atuava com uma espécie de Diretor Geral de fato, para os assuntos programáticos. Minha função seria de Diretor de direito. Mas o ocupante do cargo, pessoa ligada ao candidato a Governador de então, não poderia ser ‘removida’. Nesta época, respondi, em paralelo, pela Presidência do IPARDES (por alguns meses), por duas coordenadorias da SEAD e mais pela coordenação operacional da Reforma Administrativa, que o Governador queria fazer – que deu quase em nada, em face do boicote do Presidente do Legislativo, Deputado Aníbal Khoury. Discuti direto com o Governador, dezenas de vezes, a estratégia de atuação relacionada às tarefas assumidas. Inclusive me opus veementemente, à sua idéia de extinguir a SEPL. Depois disso, fui até convidado a assumi-la, após a exoneração do Prof. Magalhães – ‘culpado’ pelo Chefe do Executivo, da falta de planejamento no seu Governo, até aquele momento; e não aceitei ‘in limine’ – afinal, não achei que se tratava de uma tarefa relevante, até em razão dos antecedentes na questão, nem tenho vocação para ‘bode expiatório’ ! Foi um ano muito louco. Mas, com um forte sentido de realizações, inclusive pessoais ...

        Nunca me interessou poder, pompa ou circunstância. Apenas e tão somente, um conjunto de tarefas desafiadoras. E ponha desafio nisto. Depois que ‘passei’ o IPARDES para o Kiko (José Bernardoni Filho – posteriormente, Assessor Jurídico da SEEC - metido a ‘bater e arrebentar’), nos primeiros dias de seu ‘mandato’, embora na condição também de Titular da SEPL, o pessoal da então Fundação, fazia um autêntico ‘corredor polonês’ à sua descida pela rampa do Castello Branco, vaiando-o estrepitosamente. Não recebi tal tratamento, embora os tenha tirado de uma sede confortável (perto do ‘Operário’ – longe dos ‘olhos’ do ‘patrão’), por supostas razões de redução de custos com aluguéis e os colocado no ‘porão’ do ‘Castello’.



Categoria: Causos & Coisas
Escrito por W. Pósnik às 22h27
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BRASIL, Sul, CURITIBA, Homem, de 56 a 65 anos, Portuguese, English, Arte e cultura, Esportes, e Políticas Públicas de Cultura
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