Blog do Pósnik


APÊNDICE Nº 1

 

EXEMPLO SIMPLES DE BASE EMPÍRICA PARA FORMULAÇÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS DE CULTURA.

                                                                                                                            Wilson Merlo Pósnik, sociólogo.

Nos últimos 20 anos, vimos discutindo a construção de uma base empírica para formulação de políticas públicas de cultura, a partir de experiência concreta, na Secretaria de Estado da Cultura do Paraná em 1994, com o projeto de inventário ‘O Paraná da Gente’. E já é tempo de nós mesmos, superarmos as elucubrações especulativas que tanto condenamos e partirmos para exemplos concretos. Dois sempre foram nossos objetivos principais: (1) romper e superar com a nossa tradição puramente especulativa nas Ciências Sociais – nosso ‘príncipe' FHC, por exemplo, nunca produziu nada a partir de embasamento empírico original; e praticamente toda a nossa tradição acadêmica e produção científica na área, sempre se deteve nestes limites; (2) políticas públicas republicanas têm que partir da realidade concreta e das necessidades reais da nossa sociedade, na sua ampla e complexa diversidade.

Vamos supor que estivéssemos diante de um processo de formulação de políticas na área de música e mais especificamente, para objetivarmos a discussão, no segmento da percussão. Na nossa percepção, o 1º passo seria fazer um inventário amplo de tudo o que se faz ou o que potencialmente poderia ajudar, no processo de mobilização social em torno do tema, numa determinada porção de território. Não poderia ser um processo convencional e ortodoxo, de inventariar para depois intervir, mas à medida que se fosse desvelando qualquer processo ou ente potencial do desenvolvimento artístico, tentar-se-ia agregá-lo ao processo de mobilização e de encaminhamento de programas, tanto no reforço de formulação sustentada das políticas, quanto no aspecto finalístico do desenvolvimento artístico. E por aí, estaríamos criando e incrementando uma base operacional e política particular da área da Cultura, não só pública. Tal processo, na nossa perspectiva de análise, só poderia ser feito por um ente da sociedade civil organizada. Pois estaríamos diante de uma contradição básica - reformas das práticas políticas, diante das organizações políticas tradicionais, voltadas para a manutenção do 'status quo', impasse da mesma natureza que o enfrentado pela chamada 'reforma política'. Mas, voltemos ao tema concreto da percussão. Quais seriam os entes básicos e agregadores do desenvolvimento desse segmento ? Desde já, podemos antever o que poderíamos encontrar, num inventário desta natureza, ao nível local: professores de bateria de escolinhas de música, carnavalescos, praticantes de 'taikô' (percussão nipônica), fandangueiros, artesãos de instrumentos, especialistas em percussão corporal nas artes cênicas, mestres de fanfarras, idosos com ligações à temática etc. etc. Ou seja, elementos 'no mercado', mas principalmente, os fora dele. Portanto, já à primeira vista, o caminho demonstra seu potencial. E com certeza, a intervenção concreta localizará centenas desses entes, numa escala ampla de competências, visibilidade, responsabilidade social e mesmo, interesse em viabilizar ou incrementar pequenos negócios nesse particular. Como sempre vimos afirmando, trata-se de localizar e envolver parceiros, estruturar uma base política e o encaminhamento de soluções, que passarão inevitavelmente por discussões de fontes de financiamento, tanto públicas como privadas. Tal estratégia poderia ser aplicada a qualquer outra área do desenvolvimento artístico, tendo-se sempre o cuidado de iniciá-las por segmentos de menor complexidade e que exijam menos recursos iniciais, como outro exemplo, em artes cênicas - por contação de histórias, teatro de bonecos operados por crianças etc. Por outro lado, a base física principal dessas intervenções, já decorrentes dos passos iniciais dos inventários, queremos crer, deveriam ser as escolas da rede pública e sua clientela, os alunos e comunidade escolar respectiva, desembocando mais adiante, em possíveis festivais locais, cujos registros sistemáticos também devem ser objeto de preocupação permanente.Tudo sob inspiração, no caso de percussão, de figuras exponenciais neste assunto, como os baianos Naná Vasconcelos e o grupo Oludum.

                                                                                        Curitiba, 04 de setembro de 2014.   

 



Escrito por W. Pósnik às 12h11
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